Quando recarregar as energias?
Você acha que recarregar as energias não é para você? Ou pensa que adoraria recarregar as energias, mas sempre tem uma justificativa para deixar isso para depois? Deixa eu te contar uma coisa que você já sabe, mas finge que não te impacta: todos nós temos um limite e, depois que esse limite é ultrapassado, você perde o direito da escolha. Só você é capaz de identificar e respeitar os seus limites. Se você não fizer isso, os outros não farão por você. Você não é menor ou menos importante por se cuidar e querer ser a sua melhor versão, tanto em sua vida pessoal como em sua vida profissional.
Quais são os sinais que você está ignorando?
Quantas vezes você deixou de ouvir o seu corpo quando ele implorou por um descanso?
Quantas vezes você já se percebeu sendo intolerante, rude e impaciente por estar sobrecarregado?
Quantas vezes você já se prometeu se organizar melhor para atender aos prazos, mas quando se deu conta, já estava atrasado novamente?
Estresse, fadiga, intolerância, impaciência, queda da produtividade, esquecimento de compromissos, correria constante, falta de tempo para coisas pessoais, conflitos constantes, preocupações sem fim, ansiedade, angústia, sensação de “não é isso o que eu quero para mim”, dor de cabeça constante… esses são alguns dos sintomas que podem indicar que está mais do que na hora de você recarregar as energias!
Sim, eu sei como é, acredite em mim! Já fui dessas pessoas que negociava as férias sempre para depois. Que se não tivesse uma viagem marcada com tudo pago, empurrava com a barriga e aguentava mais alguns dias, semanas ou até meses… só “até aquela situação se resolver” ou “as coisas se acalmarem”. Também já fui daquelas que saía de férias e continuava checando e-mails e whatsapp, só para poder resolver alguma coisa “caso precisasse”.
Não me orgulho de dizer que já fui bem reconhecida por virar noites para conseguir cumprir prazos e entregar relatórios. O que poucos sabem é que dormi no volante não uma, mas duas vezes! Acordei na hora que meu carro passou por cima do meio fio e subiu no canteiro. Nada aconteceu. Mas poderia ter acontecido…
Tenho um amigo que tem 40 anos e que no ano passado teve um enfarte. Foi hospitalizado, teve atendimento médico a tempo e não sofreu nenhuma sequela. Mas poderia ter sido diferente.
Assim como eu, tenho certeza que você conhece algumas histórias de pessoas que abusaram e ultrapassaram seus limites. De alguma forma essas pessoas tiveram sorte e oportunidade de mudar seus destinos. Mas o que eu vejo na maior parte desses casos são pessoas que mudam temporariamente seus comportamentos, mas aos poucos voltam aos seus velhos hábitos. Eu demorei para entender, mas hoje é muito claro para mim: Ultrapassar seus limites não é força. Reconhecer seus limites, respeitá-los e definir estratégias para recarregar as energias, essa é a minha força.
A vida é feita de escolhas – e cada escolha tem uma renúncia
Cada vez que eu negligenciava os sinais que meu corpo me mandava dizendo que era hora de eu reduzir o ritmo e recarregar as energias, eu tinha uma nova justificativa fundamental para continuar “só mais um pouquinho”. A verdade é que, na maioria das vezes, os benefícios dessas escolhas eram marginais quando comparados aos custos pessoais associados. Eu aprendi que se eu não respeitasse os meus limites, ninguém mais respeitaria!
Quando eu fazia parte do mundo corporativo, negligenciar minhas próprias necessidades para atender às demandas de projetos, da equipe ou da liderança parecia a coisa certa a ser feita. Mas hoje vejo que uma pausa em determinados momentos, diferente do que eu pensava, teria trazido muito mais benefícios do que continuar o dia a dia como foi continuado. Esgotar as minhas energias não era a coisa mais inteligente a ser feita e negar a necessidade de regarregar as energias não me fazia mais forte.
Naquele momento, muita gente chamava a minha atenção sobre a necessidade de ir mais devagar, de rever as minhas prioridades. E eu concordava com o que eles diziam, mas eu não sabia como fazer diferente. E não tinha tempo para procurar por isso. Mas aprendi e quero compartilhar com você!
Momento Coach
Hoje trago aqui o passo a passo para uma rápida análise de perdas e ganhos para te ajudar a tomar a melhor decisão quando surgir a dúvida: sair ou não de férias conforme programado.
Esse modelo pode ser usado por você para qualquer tomada de decisão. O nosso foco aqui será identificar se você está ou não precisando recarregar as energias.
Pegue um papel e uma caneta. Divida seu papel em quatro partes. As duas partes de cima serão dedicadas ao cenário 01: Cancelar ou Postergar as suas Férias. As duas partes de baixo serão dedicadas ao cenário 02: Sair de férias conforme programado. O lado esquerdo do papel será dedicado à listgem dos pontos positivos dos dois cenáros. O lado direito à listagem dos pontos negativos.

Modelo da Matriz de Perdas e Ganhos (use SEM moderação!)
Cenário 01 Cancelar ou Postergar as Férias
Aspectos Positivos, Vantagens
Quais são os seus principais e mais relevantes motivadores para cancelar as suas férias? E nem vem me falar que não tem nenhuma vantagem, porque se isso fosse verdade, você nem estaria lendo esse artigo ainda 🙂 Liste tudo o que já passou na sua cabeça e que pode ser uma razão ou uma justificativa para cancelar seus planos.
Atenção às suas crenças! Elas podem parecer motivadoras para você. Mas crenças não são os pontos positivos, são pontos que você acredita que te beneficiarão pela sua decisão. Vá mais fundo do que isso, busque os reais pontos positivos para você!
Exemplos de crenças podem incluir:
- Eu preciso terminar as atividades ABC
- Eu não posso sair do escritório nesse momento delicado
- Não quero ser mau visto ou mau interpretado pela liderança e/ ou equipe e/ ou pares
- Meu cliente precisa de mim
- Se eu não fizer, não tem que faça
Exemplos de pontos positivos podem incluir:
- Estar presente em uma reunião importante
- Encerrar uma determinada atividade
- Participar de um processo decisório importante
- Não se indispor com liderança/ cliente/ equipe
Aspectos Negativos, Desvantagens
Cada escolha que fazemos, pelo menos uma renúncia associada… quais são as renúncias que podem se caracterizar como desvantagens pela sua escolha em prorrogar ou até mesmo cancelar as suas férias?
Exemplos podem incluir:
- Perdas financeiras, caso já tenha pago passagens, hospedagem, etc.
- Frustração pessoal
- Frustração da família (mesmo que eles saiam de férias, a frustração por vocês não estarem juntos) (aqui, vale a pena listar nome das pessoas que são impactadas e como elas serão impactadas pela sua decisão)
- Comprometimento das férias de terceiros (família ou amigos)
- Não descansar e continuar sofrendo com a pressão do dia a dia
Cenário 02: Sair de Férias
Aspectos Negativos, Desvantagens
O que de negativo pode acontecer se você mantiver os planos originais?
Exemplos:
- Alguma outra pessoa terminar as atividades ABC ou então, essas atividades não serem terminadas agora, apenas na sua volta
- Não estar presente em uma reunião importante
- Perder a oportunidade de participar de um processo decisório
- Ser mau interpretado por terceiros
Aspectos Positivos, Vantagens
Bom, verdade seja dita… você se planejou para essas férias, certo? Em algum momento fez planos e criou expectativas… seria justo que esse campo fosse o mais fácil de ser preenchido! Solte o verbo e coloque aqui todas as suas expectativas em relação às férias programadas!
Para complementar os pontos que você já colocou, vou incluir alguns aspectos que são sempre positivos em uma saída de férias. Quem sabe ajudo você a completar a sua lista…
- Diminuir o ritmo, diminuir o estresse, reencontrar seu próprio eixo
- Dormir sem ter hora para acordar
- Fazer atividades que gosta
- Ficar com pessoas agradaveis, colocar a conversa em dia
- Comer e beber de propósito, com intenção
- Acompanhar a família e ter tempo de qualidade com eles (é para isso que você trabalha tanto afinal, não é mesmo?)
- Ouvir as histórias engraçadas que seus filhos contam e ver o mundo pelos olhos deles
- Ter uma perspectiva renovada do que realmente é importante para você e como você deve agir para conseguir conquistar isso
- Reorganizar sua lista de prioridades
- Ter tempo para colocar seus exames médicos em dia
- Voltar a ser a pessoa otimista e bem humorada que você lembra ter sido no passado
- Voltar a ter memória
- Reforçar os laços com a família e com os amigos
- Esquecer a senha do computador (esse é o melhor sinala de que você realmente saiu de férias!)
- Voltar ao trabalho mais focado e mais produtivo por ter descansado a cabeça e saído do meio do turbilhão que estava te engolindo
- Voltar a ter boas ideias por ter limpado a mente e ter visto e ouvido coisas diferentes
- Sentir uma vontade estranha de sorrir ao lembrar de alguma coisa que aconteceu
- Construir lindas lembranças para o futuro
Como conclui….
Bom, eu adoro a matriz de perdas e ganhos para qualquer tomada de decisão. Desde as mais simples até as mais complexas. Eu percebi que nas decisões mais simples ela tende a ser negligenciada, colocada de lado… as pessoas tendem a focar em suas crenças sobre o que precisa ser feito e não olham para os reais pontos positivos e negativos associados a cada cenário. Eu percebi que me tornei mais assertiva ao realizar, mesmo que rapidamente, essa matriz. E trago isso para os meus clientes quando eles apresentam alguma necessidade de tomada de decisão que os deixa fora de suas zonas de conforto.
E hoje é meu primeiro dias Pós-Férias! Cheguei de viagem ontem a noite. E hoje estou aqui, cheia de ideias e já colocando um monte de coisas em prática! Foi quando eu me dei conta: Uau, acho que estou mais produtiva do que no dia que saí de férias (e olha que me considero uma pessoa bem produtiva atualmente!) Foram apenas alguns dias mas que me permitiram muita conversa boa e uma recarregada das energias. E me fez perceber uma cosia: Eu não preciso deixar a bateria descarregar por completo para recarregá-la! Eu posso fazer isso a qualquer momento que eu perceba que estou saindo do meu ponto ótimo de produtividade. Claro que nem sempre vai dar para fazer as malas e entrar no avião. Mas é possível criar hábitos saudáveis que proporcionem a redução do meu cortisol e o aumento da minha produtividade no dia a dia.
E sim, eu hoje não abro mão de um momento semanal de “recarga de energia”. Porque isso me torna e me mantém sendo a minha melhor versão e é isso que eu quero ser, tanto na minha vida pessoal como na minha vida profissional.
